Sexta-feira, Julho 29, 2011

Finalmente voltarei à Europa depois de seis anos longe dela. Conhecerei lugares novos e visitarei outros que já tenho certa intimidade. Viajar é, definitivamente, o que mais gosto de fazer na vida.

Sei que andei desaparecida daqui, mas não foi por mal. Ultimamente andei preferindo viver a vida do que escrever sobre ela. A vida é bela, assim como as pessoas especiais que colaboram para fazê-la dessa forma.

Está tudo bem. Tudo lindo. Voltarei mês que vem com novidades e uma nova energia. Divirtam-se, assim como eu irei!

:: Por Cams_ | 11:44 |

Abra seu coração!

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Quarta-feira, Abril 20, 2011

Vomitando informações

Hoje eu não quero fazer muito sentido. Não quero começar o texto me justificando por não ter atualizado antes. Nada justifica essa distância inexplicável.

Estou ansiosa hoje. Não sei ao certo por que. Cheguei em casa do trabalho, deitei no sofá da sala, olhei para o teto e fiquei olhando o tempo passar, tentando entender o porque dessa agonia estar me perseguindo justamente hoje. É bom ter a casa só para você e poder ter a chance de fazer algo assim, mas não pode deixar ela te engolir.

Peguei uma virose bizarra duas semanas atrás e somente nessa voltei ao trabalho. Antes disso me senti isolada em casa, sem forças para fazer nada. É ruim perder as forças. Te faz sentir uma inútil.

Sabe aquela sensação de avalanche de sentimentos? Uma hora feliz, outra triste, outra preocupada, outra forte, outra referência, outra desesperada. É complicado, pois nunca fica claro como exatamente você está. Um pouco de uma, de outra, de todas. Ou nada de nada.

Acho que o isolamento faz isso com as pessoas. Te faz perceber seu real tamanho perante o mundo. E hoje estou me sentindo menor. Não pequena! Isso não! Mas menor, desviada, torta. Como eu li em algum lugar uma vez, “o torto faz mais sentido, combina com o mundo que é incerto por definição.” Isso me assusta!

Isolamento e vazio são coisas que me assustam muito. É muito estranho pra mim entender que um mundão desse tamanho não é capaz de fazer alguém se sentir completo, preenchido. No entanto, é o que mais acontece, não é mesmo?

Vocês já viram um filme chamado Notas Sobre Um Escândalo? Fala justamente disso. Uma senhora que sabe o que é a solidão e que até tenta se livrar dela, mas a loucura em que está imersa não permite. Como foi dito no filme, “eles não sabem o que é solidão, o que é você planejar toda a sua semana em torno da ida a lavanderia.” Forte isso, me deixou triste quando vi.

Esse final de semana foi muito importante para mim. Foi importante e natural ao mesmo tempo. Acho que isso que deixou tudo muito especial: a naturalidade. Desligar o racional, deixar-se levar pela maré, como eu quase fui levada pela correnteza na praia de Ipanema. Eu gosto de ser levada para a correnteza, sempre senti vontade de descobrir onde iria parar. Mas, nunca tive coragem de ir até o final – não sei se foi devido ao meu medo ou ao medo dos outros por mim. Importa?

É incrível o quanto o ser humano é insatisfeito. Eu sou extremamente insatisfeita! Quero mudar de trabalho, quero amigos novos, quero um amor, quero novidades. Novidades me movem, me dão energia. Funciona quase como um sol...

Não sei se essa ansiedade tem explicação. Não sei se é possível corrigi-la. Prefiro acreditar que é necessário se sentir assim de vez em quando, no meio da avalanche. Tudo desmoronando, mas tudo ainda ali. É tanta coisa, toneladas de coisas, mas ao mesmo tempo é um vazio, uma solidão, sem explicação. Será o óbvio??

Tenho certeza que não estou fazendo sentido hoje. No entanto, sinto que não fazer sentido faz muito sentido em alguns momentos. Como se voltássemos a mentalidade de crianças por um momento, como é colocado no Mundo de Sofia. Vamos crescendo e vamos indo para a raiz do pelo do coelho e, quanto mais chegamos perto da raiz, mais vamos perdendo nossa visão de mundo, de entendimento, de capacidade filosófica.

Hoje me deu uma vontade absurda de escrever. Mas não escrever qualquer coisa. Escrever supre meus sentimentos e entregar a folha a um completo estranho. Lembro quando senti isso pela primeira vez. Estava sentada na escada do Leonardo Da Vinci depois de uma aula e estava no meio de um daqueles desesperos de adolescente. Provavelmente tinha algo entalado na garganta e queria colocar aquilo pra fora a qualquer custo. Lembro que olhei para o lado e havia alguém sentado não muito distante, com um olhar tão triste quanto o meu. A vontade que eu tive era de ir até la, abraçar, chorar e sentir que a dor estava sendo compartilhada de alguma forma. E queria ser correspondida também. Tinha certeza que seria. Estava claro!

Mas não o fiz. Acho que foi o medo do ridículo que me impediu. Medo da incompreensão, da represália e, principalmente, do futuro isolamento. Levantei e andei em direção a parada de ônibus para ir pra casa.

Hoje senti essa mesma vontade. Tanto que estou aqui, deitada na cama escrevendo um monte de palavras que, juntas, não estão fazendo muito sentido. Não seguem uma linha. São tortas, mas tortas de uma forma diferente da linha tremida do mundo. Isso se for uma linha...

Acabei de decidir que não vou alterar esse texto. Pela primeira vez vou publicar algo aqui se fazer uma revisão, sem alterar um parágrafo ou outro. Chega de maquiar. É assim, pronto, acabou! Sente isso?

Agora mesmo me veio a mente uma frase que me foi muito importante em 2003: miss the pain. Sabe aquele papo de gente que simplesmente não sabe ser feliz? De que sempre precisa de algo negativo para ter por o que lutar, ou pelo que viver? Pois eh, eu não sou assim. Certeza! MAS estou tendo dificuldade em preencher o lugar onde antes era ocupado pela pain. Acho que isso se chama “superação.” Não sei...

Escrever faz bem. Escrever sem a intenção de se levar e de ser levada a sério é melhor ainda! Te transforma em um ser único, perdido pelo espaço que é inteiramente e só seu. Com os olhos praticamente fechados – como eu fiz durante esse texto – mais ainda!

Foi natural e verdadeiro. O resto eh resto. E reto. E insignificante.
Não, nem eu entendi...

:: Por Cams_ | 01:25 |

Abra seu coração!

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Quinta-feira, Março 10, 2011

Histería adolescente

Not too long ago escrevi no meu Facebook que meu lado adulto estava em constante conflito com meu lado adolescente. Há tempos isso não acontecia. Achei legal esse conflito interno, me fez ver que a adolescente que eu pensei ter matado dentro de mim ainda existe perdida em algum lugar. Fiquei feliz.

O motivo do conflito foi o show dos Backstreet Boys. Nossa, eu os adorava! Tinha os CDs, muitas revistas, zilhões de pôsteres. Gostava mesmo, assumo. Mas como qualquer pessoa normal, cresci e superei, nunca mais ouvi nenhuma música deles ou sequer sabia o que estavam fazendo da vida.

Até que fiquei sabendo que eles tocariam em Brasília. No início achei estranho, afinal, nem sabia que eles ainda estavam juntos. Depois comecei e ouvir umas músicas antigas do 2º CD deles e, before I knew it, já estava toda animadinha querendo ver os caras de perto.

Eu sempre tive esse tipo de pala, desde pequena, de querer ver as coisas de perto para ter certeza de que são verdadeiras e não um truque de televisão ou uma imagem bonita em uma revista. Pra mim faz diferença dizer que eu cheguei a metros, ou até a centímetros, de distância desses caras que um dia já foram meus ídolos.

Enfim, fiquei nessa de “vou ou não vou” por umas duas semanas até que no dia do show a Madrecita me ligou dizendo “vamos logo nessa porra!” Fomos e foi ótimo! Não ficamos lá na frente que nem a mulherada do fã clube, mas deu pra ficar pertinho da grade da pistinha. Deu pra ver os rostinhos deles direitinho e achei todos muito simpáticos. Foi aniversário do Brian no dia em questão, então rolou Happy Birthday em coro. Foi bem legal.

Nesse dia eu e a Madrecita conversamos bastante sobre essa histería das adolescentes. Pensei que veria gente mais da minha idade, mas o show estava lotado de meninas de 12 a 16 anos, todas maquiadérrimas e com olhares apaixonados direcionados ao palco. Estava claro como água que metade das meninas ali acreditava que se tivesse uma chance conseguiria fazer com que um dos integrantes da banda se apaixonasse, tal qual um enlatado americano de quinta categoria.

Eu acho engraçado esse comportamento adolescente. Lembro quando era uma e tinha uma fixação pelo Leonardo DiCaprio (eu e todas as gurias da minha idade). Eu olhava para aquele homem em Titanic e tinha certeza absoluta que o conhecia muito bem e que nós éramos perfeitos um para o outro. No fundo, apesar de achar totalmente impossível, tinha aquela esperança adormecida de um dia iria encontrá-lo na rua e teria a chance de ele me achar interessante. Viveríamos felizes para sempre, para orgulho da minha família.

Ainda bem que a idade chega e colocamos nossos pezinhos no chão, né?

Hoje eu olho para essas adolescentes e entendo parte do que elas sentem. No entanto, essas mais escandalosas eu não consigo entender nem fazendo força, pois já não as entendia quando era adolescente. Vejo essas malucas fãs de Restart e demais bandinhas mixurucas, se descabelando e se humilhando em rede nacional, e acho tudo muito ridículo. Dá um certo alívio por ter crescido e amadurecido.

Mas que é legal voltar a adolescência de vez em quando, é sim! :)

PS: Também fui ao show da Cyndi Lauper! Mês que vem vai rolar Roxette no Rio de Janeiro, de onde acabei de voltar devido o Carnaval (mas esse assunto é para outro post).

Ao som de: Backstreet Boys – Incomplete

:: Por Cams_ | 16:42 |

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011

Almas gêmeas



Escrevo esse post enquanto o chefe está fora da cidade e um aluno de administração responde um questionário sócio-econômico que faz parte do nosso processo de seleção de estagiários. Ele parece bem, tranquilo. Boa sorte pra ele.

Então, estou para escrever esse post há tempos, mas ando enrolando muito ultimamente. Uma preguiça inexplicável está se apossando da minha pessoa! Ando dormindo bem ultimamente, malhando muito também. Não sei ao certo o que está gerando essa preguiça de escrever. Ando agitada para todo o resto...

Bom, outro dia estava pensando na ideia de almas gêmeas e percebi que eu nunca fui de usar esse conceito. Enquanto minhas amiguinhas de primeiro grau diziam ter encontrado suas respectivas caras-metade, pra mim gêmeo é coisa que minha prima e tia têm: alguém fisicamente idêntico a você.

Acho que ter duas tias e duas primas gêmeas, cada dupla de um lado da família, colaborou para nunca levar a sério essa ideia de almas, visto que eu consigo claramente ver diferenças fundamentais entre elas. Tanto de personalidade quando de aparência (eu e minha irmã nunca confundimos as duas. Até nas fotos de antes e nascermos, das 4 pequenas, conseguimos diferenciar). Afinal, se alguém tem a alma gêmea da sua, isso significa que vocês são idêntico, não?

Quando fui para São Paulo no ano passado com a Sarah, tive a chance de encontrar o Rodrigo e comprovei o quanto gosto da presença dele. Quando voltamos ao hotel naquele dia, disse a Sarah e a Victor que eu “gosto tanto do Rodrigo que queria colocar ele no meu bolso e levá-lo comigo para todos os lugares”. A resposta deles foi a melhor “coloque ele na sua pokobola!” Povo besta! Como se eu assistisse Pokemon pra entender! Tive que pedir explicações, lógico.

Acho que só agora, aos 25 anos, consegui entender melhor esse raciocínio. Acho que a expressão é usada quando duas pessoas são perfeitas uma para a outra, como feijão é para o arroz ou como meu pai é para minha mãe.

Comecei a pensar se existem variações dentro do universo de “almas gêmeas”. Por exemplo, a melhor transa da sua vida é sua alma gêmea na cama? Ou seu melhor amigo/amiga pode ser sua twin soul sem desejo sexual? Ou até mesmo sua mãe ou irmã, que te conhecem mais que ninguém e que parecem saber exatamente o que você está pensando, podem ser consideradas um tipo de “gemeanidade de almas”? Quantas dessas podemos ter? Duas? Três? Monogamia?

Sei que parece piada, mas o assunto é mais complexo do que parece. Percebi isso quando lembrei que fui encontrando, ao longo da vida, algumas pessoas que tinham o maior potencial para se transformarem na minha cara-metade, mas sempre houve algo que impediu que qualquer um conquistasse do título. Maturidade, idade, sexo, localização geográfica, etc. Pense a respeito e você vai perceber a quantidade de gente legal que passou pelo seu caminho, mas que sempre tinha uma pedra que te fazia tropeçar. Por mais boba que fosse!

É incrível o que temos que superar para fazer qualquer tipo de relacionamento funcionar! Incrível!

Bom, sempre achei esse termo muito brega, portanto vou usar o da Pokobola enquanto não encontro nada melhor. Sei que “Pokobola” é ridículo e infantil, mas pelo menos não me lembra novelas mexicanas. Tem certo senso de humor.

Ao som de: Prodigy - Smack My Bitch Up

:: Por Cams_ | 16:44 |

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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2011

Playing tricks on me

Tirando a dificuldade em adormecer, dormir sempre foi uma diversão pra mim. Eu me amarro nas loucuras que o meu subconsciente me mete. Desde pequena eu tenho esses sonhos estranhos que dariam ótimos roteiros de filmes. Já escrevi sobre isso por aqui.

No entanto, na grande maioria dos meus sonhos eu fico perdidinha! Não sei se meu corpo está tentando me mandar um recado ou se só quer sacanear com aminha cara mesmo. Talvez um pouco dos dois. Seria possível?

Depois que voltei das férias no nordeste comecei a sonhar com morte. Nunca com a minha, sempre com a dos outros. Em um deles eu estava no velório dos meus pais e da minha irmã, que morreram juntos em algum acidente. Puxa vida, foi ruim! Sabe quando você acorda com aquela sensação estranha e fica mexida durante toda a manhã? Pois é, exatamente isso.

Eu até cheguei a me preocupar, pois estava sonhando com eles mortos umas duas vezes por semana. Parece pouco, mas se você parar para pensar, quantas vezes repetiu um sonho na vida? Aposto que não foram muitas, pois todas elas foram memoráveis e, aqui entre a gente, sonhamos um monte de coisas todos os dias. Quando você repete um sonho, ou sonha com uma “continuação”, ele vira especial. Enfim...

Essa semana comecei a sonhar com pessoas do passado. Acho que é tudo culpa da Mari, que me achou no Facebook, pois as pessoas do Leonardo são as que estão mais presentes. E justamente aquelas com quem eu tinha menos contato! Exemplificando, sonhei que estava numa área de acampamento sentada numa mesa com a Carolzinha, a Ana, o Thales e a Renata. Esses três estudaram comigo no ensino médio, os conheci em 2000 no primeiro ano.

Não faço ideia de quanto tempo não vejo essas pessoas! Para vocês terem noção, a última notícia que tive do Thales foi quando eu voltei da Inglaterra e TODOS os meus amigos vinham com a seguinte frase “Você viu quem está no programa Fama, da Globo?? O Thales!” Lembro que fiquei muito feliz por ele. Afinal, ele sempre teve banda, tocou instrumentos e cantou muito bem. Até tocou violão na apresentação do Terrorismo em 2001. Well, fiquei sabendo que depois de eliminado acabou se mudando para o Rio para tentar a vida de artista por lá. Não sei se deu certo.

Agora, em 2011, dez anos depois, eu sonho com o cidadão! Estávamos batendo o maior papo e eu parecia estar com saudades da Renata. Nunca fomos amigas, apesar de eu sempre ter me dado muito bem com ela. Vai entender...

Bom, tendo explicado a questão, estou achando muito engraçado dormir nessas últimas semanas. Fico imaginando se estou prevendo o futuro e alguém do passado vai retornar de vez pra minha vida. Ou morrer.

Putz, não quero nem pensar nisso! Toc*toc*toc (batendo na madeira)

Ao som de: Falamansa - Rindo à Toa

:: Por Cams_ | 16:01 |

Abra seu coração!

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Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

Branco e Preto

Esse post, na teoria, deveria ter sido escrito em dezembro e também o último a ser postado no ano de 2010. No entanto, acabei me enrolando e só estou conseguindo sentar e escrever agora.

Estava pensando em fazer disso uma constante aqui do blog. Assim como o Preto e Branco (28 de dezembro de 2009), no Branco e Preto pretendo fazer um balanço do que rolou de bom e de ruim em 2010. Não sei se vai prestar, mas dane-se, o blog é meu e aqui escrevo o que quiser. Rá!

Acabei resolvendo escrever esse post quando minha mãe me perguntou o que eu iria vestir na virada do ano. Geralmente eu passo de branco com alguma coisa preta, pois sempre quero enterrar alguma coisa de ruim que acontecera anteriormente. Para a minha surpresa, não usei nada preto dessa vez. Fiquei me perguntando o porquê disso...

O ano de 2010 foi sem igual pra mim. Foi realmente sensacional! Não estou dizendo que foi maravilhoso, até porque na primeira metade foi uma completa merda, mas olhando no geral foram os 365 dias em sequência mais proveitosos que já tive. Digo isso porque acabei de reler o Preto e Branco e quase não reconheci a pessoa que o escreveu. Vai entender!

Os ups and downs foram maiores nesse ano, mas mais coerentes. Entrei em 2010 deprimida, sem saber o que estava fazendo com a minha vida. Acabei vestindo a camisa de um concurso sem sequer saber se realmente queria aquilo pra mim. Nossa, escrever sobre isso me da sensação de que foi há milhares de anos. Hoje nem cogito mais essa carreira. Quer dizer, cogitar sempre cogito, mas finalmente entendi que isso tudo é apenas um emprego, e que iguais a ele existem muitos outros soltos por ai.

2010 foi o ano em que eu consegui meu primeiro emprego (depois de meses fazendo entrevistas e mais entrevistas). Atuo na área de RI (comércio exterior), em um lugar superbem localizado (10 minutos da minha casa – shopping a poucos metros) e com uma equipe ótima. Apesar de certas manias e confusões do dia a dia, dei muita sorte em ter o chefe que tenho. Cara paciente e inteligente. Gosto de trabalhar aqui.

2010 foi o ano que eu decidi tomar gosto pela musica brasileira. Acho que apelei, pois até sertanejo estou começando a achar legal. Enfim, escutar a Nova Brasil FM está me fazendo bem, já consigo ir para umas baladinhas nacionais e não faço tão feio. Sem falar que conheci Maria Gadú, que foi o meu CD do ano. Nossa, há anos eu não empolgava assim com um som nacional.
Estou curtindo de verdade.

2010 foi o ano das pequenas viagens. Rio de Janeiro, São Paulo, etc. É bom trabalhar, pois entra dinheiro na sua conta pra você gastar com as coisas que mais ama na vida. Em agosto de 2011 será a Europa, novamente. Mas, dessa vez, vou para lugares diferentes, desbravar novos horizontes, abraçar o mundo!
Só de imaginar fico toda arrepiada aqui...

2010 foi o ano dos shows marcantes! Nunca vou esquecer quando olhei, lá de cima dos ombros do Davi, para os amigos especiais que estavam comigo enquanto a Dolores, do Cranberries, cantava Linger. Minhas pernas tremiam horrores! E o show do Rammstein que quase me fez chorar! Senti algo maravilhoso no estômago quando eles tocaram Du Riechst So Gut e Sonne.
Música me emociona demais. Treco poderoso.

2010 foi o ano que alguns fantasmas do passado voltaram para fazer uma visitinha. Para falar a verdade não gosto muito disso. No entanto, eles insistem em aparecer. A vantagem é que alguns deles são bons. Os ruins, que tentam desenterrar dramas ou situações do passado que hoje não significam mais nada, a gente vai lidando. O interessante é que eles parecem ter mais dificuldade em me superar do eu em superá-los.
Sim, isso me deixa feliz, não vou negar.

2010 foi o ano que o leque de amigos se abriu (arregaçou). Além do retorno de amigos antigos como a Lorys e a Madrecita, rolou uma química tão boa com grupo de RPG que os laços foram fortalecidos. Foi quando um deles começou a me arrastar para o forró, me fazendo criar gosto pela dança. Foi também quando os Get Togethers do povo do cursinho rolavam um seguido do outro e, numa dessas, percebi que já conhecera o futuro pai dos meus filhos.
Vocês leram certo, é isso mesmo.

2010 foi o ano da minha maior decepção. Aquele que eu poderia jurar que daqui a 30 anos ainda estaria num boteco bebendo cerveja do meu lado me provou errada. Eu nunca tinha passado por essa situação de “fim de amizade”. Foi muito ruim, muito dolorido. Não recomendo a ninguém a desilusão que tive.

2010 foi o ano em que o Franjas na Testa ressurgiu das cinzas e eu lembrei o quanto escrever me faz bem. Não somente escrever e colocar os pensamentos pra fora, digo escrever para o blog. Imaginar que pessoas que eu gosto podem entrar aqui e ter notícias minhas me deixa feliz. Ta certo que nem todos gostam de mim, mas não tem problema, esses a gente releva.

2010 foi o ano que meus pais perceberam que eu não estava mais crescendo, já estava crescida. Acho que perceberam isso quando viram que eu estava carregando-os nos ombros e, ainda por cima, que estava apta a carregar esse peso. Deu pra ver que foi chocante pra eles – já pra mim, pareceu normal.

2010 foi o ano que eu voltei a me abrir para as pessoas, arrisquei assumir que estava apaixonada e tal. Sofri bastante com isso. Mas, assim como tudo na vida, as coisas vão passando e melhorando você. Desde então algo colou dentro de mim e agora as coisas voltaram a acontecer.
To curtindo, está me fazendo bem.

2010 foi o ano em que minha irmã quase me matou do coração (mais de uma vez). Foi o ano em que ela me surpreendeu pela pessoa que é e quando nós começamos a nos entender. Acho que aquele campo de força que sempre existiu entre a gente por todos esses anos foi sendo derrubado aos pouquinhos. Sinto que ele está perto da extinção. Essa está sendo a maior alegria da minha vida. Me sinto muito feliz e sortuda por ter a honra de ter ela como minha irmã. =]

2010 foi o primeiro ano da minha humilde existência em que eu acho que alcancei aquilo chamado de felicidade. Pura e simples. Não tenho conhecimento de drogas, mas achei a experiência completamente viciante! Me pegava cantarolando enquanto dirigia, tomava banho, malhava. Bom humor todos os dias.
Estar feliz é uma coisa, ser feliz é outra completamente diferente.

Bom, é isso. Sei que devo ter esquecido alguma coisa, mas é tanta coisa acontecendo em um ano que é impossível organizar tudo em um texto só. Posso dizer com total propriedade que esse foi o ano do autoconhecimento, quando parei de inventar desculpas para meu comportamento e comecei a me entender melhor.

Tomara que 2011 siga por essa linha! Ótimo ano para todos vocês.

Ao som de: The Ting Tings - That's Not My Name

:: Por Cams_ | 17:34 |

Abra seu coração!

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Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

O que a vida nos reserva

Hoje eu trouxe meu laptop para o trabalho e resolvi escrever um pouco. Como o estagiário só vem pela manhã e o chefe está em São Paulo, fico sozinha nessa sala muito bem iluminada, com uma vista até bonita, acesso a frigobar e ouvindo música boa. Parece que o trabalho viajou junto com o chefe e as coisas estão bem tranquilas por aqui. Ótima ocasião para sentar e escrever pro Franjas!

Esse último mês que estive distante do blog foi muito intenso. Não digo isso somente para justificar minha ausência, mas também para dividir um pouquinho com esse meu diário coisas muito importantes que aconteceram – e que merecem ficar registradas.

Bom, uma coisa muito boa que rolou recentemente foi a minha ida a São Paulo para o show do Rammstein. Para quem não sabe da importância dessa banda em minha vida, basta saber que na lista de coisas que tenho que fazer antes de morrer (publicada no post Tempo de decisões (ou ampliação das confusões) de abril de 2007) consta “ir ao show da Madonna e do Rammstein”. Já fui aos dois shows, por isso posso riscar esse item da lista.

Foi maravilhoso! Não só o show como toda a viagem, que hoje vejo como muito importante para meu autoconhecimento. Matei um pouco da saudade do Rodrigo – sim, meu bem mudou pra lá devido uma ótima oportunidade de emprego – da Renata – que eu não via há um ano e, pasmem, não tirei nenhuma foto desse momento histórico – e QUASE encontrei o Gugah, que foi pra Disney comigo em 2006. Se eu tivesse tido mais tempo teria visto mais gente. A Naomi escapou por pouco.

Falando em Rodrigo, estou sentindo falta desse cara. Apesar da diferença de idade estamos passando mais ou menos pela mesma fase da vida. Antes de ir ele vestiu a camisa de “porto seguro” e eu sinto saudades dele no meu dia a dia. Que bom que deu para curtir ele direitinho antes de ir embora, nas festas de despedida. Abaixo está uma foto em uma das festas, do pessoal do trabalho. Gosto muito dela, não sei por quê. Ficou natural.



Bom, sinto que tomei o primeiro passo importante outro dia, pois consegui juntar coragem sei lá de onde e conversei com a minha irmã sobre um assunto que há tempos tínhamos pendente. Foi muito difícil, principalmente a parte de vencer a sensação de “arriscar tudo”, mas o resultado foi maravilhoso. Maravilhoso não é nem a palavra, mas não consegui achar outra que descrevesse meu sentimento naquele dia. A sensação era como se tivesse tirado um gesso do corpo todo, ou como se tivesse bebido muito e minha pressão tivesse baixado. Me sentia tão leve que achava que uma simples brisa poderia me levar pra longe.

Foi, com certeza, o momento mais bonito e importante da minha vida.

Mas, contudo, no entanto, todavia (lembrei do Ghost agora), a alegria durou pouco. Quer dizer, lógico que a alegria desse ocorrido anda permanece, mas coisas ruins acontecem quando menos esperamos e temos que lidar com elas, por mais que sejam horríveis.

Na noite seguinte recebi um telefonema da minha avó, que tem 83 anos e é uma senhora bem doente, dizendo que a filha mais nova dela, minha tia, não estava respirando e estava azul. Eu e minha irmã corremos pra lá e constatamos que ela realmente havia morrido. Não foi uma coisa fácil de ver.

Eu já tinha visto gente morta antes em enterros, mas assim, deitada na cama, com os olhos ainda meio abertos, foi a primeira vez. E não foi qualquer pessoa. A coisa foi digerida rapidamente porque minha avó estava aos prantos tentando trazer a filha de volta. Eu e a Luiza tivemos que pensar rápido, ligar para ajuda especializada, ligar para alguma referência familiar que pudesse ajudar, sei lá, qualquer coisa!

Essa parte foi muito complicada. Como foi feriado nenhuma das minhas tias estavam na cidade, nem minha mãe. Portanto, tivemos que resolver tudo sozinhas. Primeiro chegou o Samu, depois chegou o médico (para decretar a morte), depois veio a polícia (devido ao histórico de depressão e suicídio da minha tia), depois a perícia e só depois o IML. Nesse meio tempo chamamos uma ambulância para levar minha avó ao hospital – a velha é cardíaca, ficamos com medo de algo sair errado dentro dela.

Minhas tias e minha mãe só conseguiram chegar no dia seguinte e só foram ver a falecida no enterro. Foi muito difícil pra elas enterrar a irmã mais nova. Ainda está sendo bem difícil para a minha mãe, a quem a falecida considerava como uma mãe.

Eu nunca tinha organizado um enterro na vida. É estranho, tem muita burocracia e nada agradável! Mas, pelo menos, saí dessa experiência sabendo que eu posso confiar em mim em situações extremas. Como eu e a Luiza fomos as primeiras a chegar, tivemos que segurar uma onda muito grande. Quando minhas primais mais velhas chegaram ao apartamento, uma delas sentou no chão e começou a chorar incessantemente. A vontade que tive era de meter a mão na cara dela, mas tudo o que fiz foi mandar ela se recompor e fazê-la perceber que nós éramos as adultas lá e que deveríamos tomar todas as decisões e atitudes necessárias – estava, praticamente, cuidando dela também. Moral da história: acabei fazendo tudo sozinha com a Luiza. Pelo menos a coisa melhorou quando a Nat chegou. Pessoa de atitude e lúcida.

Fiquei mal até a missa de sétimo dia. Dei umas palas de que poderia ter feito algo mais, tentado ajudá-la quando cheguei ao apartamento, etc. Mas minha família e terapia me fizeram perceber que nós, os primos, fizemos tudo certinho, demos o melhor de nós e nada poderia ter sido diferente.

Deixo registrado aqui o quanto eu gosto da tia Zaninha e o quanto espero que ela esteja bem seja lá onde estiver. Que encontre paz e tranquilidade, dois fatores que sempre foram privados da vida dela. Queria também agradecer aos amigos que dedicaram dois minutinhos de seu tempo antes de dormir para fazer uma oração pra ela. Tenho certeza que cada energia positiva direcionada é sentida e armazenada, proporcionando paz.

A vida é realmente curiosa. E delicada. Qualquer coisa pode ameaçá-la. Em um dia você pode entrar em êxtase e, no outro, enfrentar a morte de frente. Nunca sabemos o que essa caixinha de surpresas nos reserva. Acho que devemos sentir amor por ela e nos deixar levar – sem arrependimentos e da melhor forma que conseguirmos.

Ao som de: Tracy Chapman - Fast Car

:: Por Cams_ | 17:45 |

Abra seu coração!

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Sexta-feira, Outubro 15, 2010

Memories

Hoje pela manhã, envolta por um tédio ridiculamente exacerbado, entrei na minha caixa de e-mails e comecei a limpá-la, coisa que não faço desde 2006. Achei muita coisa interessante. Cartas de gente que sequer vejo mais, correntes, piadinhas, vídeos, fofocas, brigas, declarações de amor (e de ódio). Tudo o que vocês possam imaginar!

Apaguei cerca de 1175 e-mails, mas guardei cerca de 80. Um deles eu decidi colocar aqui. O recebi depois de dois meses morando na Inglaterra. Quem enviou foi a Carola, minha colega na época (escrevi um post sobre ela esse ano, lá pelo carnaval).

Achei o e-mail muito bonitinho! É muito bom lembrar das pessoas com carinho. Logo abaixo:

missing you!!!

“...E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enloqueceria se morressem todos os meus amigos!
A alguns deles não procuro,
basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure sempre...”

Vinicius de Moraes


My Darling,

I MISS YOU SOOOOOOOO MUCH!!!

Não entrei no seu blog, vou fazê-lo em seguida, mas como me faz falta saber notícias tuas... O que sentes, o que pensas, o que vês, o que amas...

Sei, no entanto, que só quando retornes poderá avaliar plenamente o impacto desta mudança na tua vida, e quero muito poder ajudar-te a fazê-lo...

Por aqui, tudo segue como o conheces ...

Decidi sair do ministério para, desde já, me preparar para o Rio Branco e para a Monografia... Estou feliz... mas sem minha amiguinha preferida!!!

Meu irmão talvez venha em Julho... Tenho lido muuuuuito!!! Ah, vou para o ENERI !!! Te escrevo depois para contar como foi. Sei que o Leo vai e a Talita está, como sempre, decidindo...

Bom, mulher, tenho que ir, mas queria que soubesses que penso muito em ti, e que estou louca para conversar contigo... me manda o teu telefone, ok?!!!

Um beijão!!!

Carol


:: Por Cams_ | 11:24 |

Abra seu coração!

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Quarta-feira, Outubro 13, 2010

O PT na minha vida



Eu tento, desde sempre, ser uma pessoa capaz de criticar as coisas que acontecem ao meu redor. Não digo isso de uma forma negativa, como se eu fosse a tia chata que vê defeito em tudo menos em si. Digo de uma forma positiva, buscando o crescimento intelectual e uma visão mais aberta (para não dizer privilegiada) das coisas.

Quem me conhece sabe que eu nunca fui de levantar bandeiras. Nunca entrei em comunidades na internet para debater temas controversos, me juntei a movimentos revolucionários, me filiei a partidos ou sequer participei de uma passeata. Não, mentira, participei sim... Fomos à embaixada dos Estados Unidos protestar contra a invasão do Iraque. Acho que éramos umas 40 pessoas e olhe lá!

Mesmo assim, sempre senti uma simpatia especial pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Acho que isso se deve muito ao ambiente em que fui criada. Não, meus pais não são petistas – meu pai, inclusive, é filiado ao PSDB graças ao Sigmaringa Seixas – mas na Brasília dos anos 1990 o PT era visto, principalmente pela classe média, como a salvação do país. Não, não é exagero.

Lembro de uns episódios que ilustram muito bem o que estou falando. Em 1994, olhei pela janela da sala e vi um grupo de crianças (eu tinha 9 anos) brincando com uns panfletos do PT no eixinho sul, gritando para os motoristas votarem no Cristovam Buarque. Ele estava concorrendo com um sujeito (brother do Roriz, inclusive) chamado Valmir Campelo pelo governo do DF. Não deu outra! Vi aquilo e desci “pra debaixo do bloco” com uma bandeira enorme de estrela vermelha que meu tio Marcus havia esquecido lá em casa. A bandeira tinha quase o meu tamanho! Fui a sensação da molecada! Esse dia foi engraçado.

Na eleição seguinte, de 1998, logo depois que o Roriz ganhou no segundo turno, minha professora de teatro do colégio virou e disse que iria voltar para o estado dela, onde um petista havia ganhado. A coisa era descarada! Em 2002, quando o Lula ganhou a eleição, voltei de viagem mais cedo que o resto da família e fui para a Esplanada, pois fiz questão de acompanhar esse momento histórico de perto. Não tive coragem de nadar nos espelhos d’água como minhas amigas, mas me diverti do mesmo jeito.

No entanto, eu deveria ter suspeitado nesse dia que algo de ruim iria acontecer... Foi a primeira vez na vida que eu senti aquele cheirinho de esterco na Praça dos Três Poderes. Deveria ter interpretado como um sinal do que estava por vir...

Hoje, depois de me graduar em RI e estudar um bocado sobre política, e depois de 8 anos de Lulinha Paz e Amor no poder, posso dizer com total propriedade que o PT foi uma das maiores decepções da minha vida! É muito difícil, pra mim, chegar ao ano 2010 e perceber que tudo aquilo que você esperava (ou imaginada) ser um raio de esperança se resumiu a mais um governo corrupto. Foi nesse ano que eu percebi que era petista e não sabia. Também foi nesse ano que percebi o tamanho da minha decepção.

A realidade política brasileira é extremamente curiosa. Debates filosóficos sobre direita e esquerda não são aplicáveis (pois ninguém tem peito para vestir suas respectivas camisas), coalizões partidárias não fazem o menor sentido e mudam a cada ano, políticos trocam de partidos como se fossem absorventes íntimos já usados, inimigos mortais viram comparsas com o passar dos anos e o discurso é um mero detalhe. Isso tudo me entristece!

Inclusive, só o PT conseguiu mostrar que o debate político transmitido em cadeia nacional de nada vale para as eleições e que a mídia é demoníaca e feita para ferrar contigo! Sensacional! Parabéns Lula!

Daí chegam os engraçadinhos, os grandes entendedores de política em anos eleitorais, e dizem que “é assim mesmo”, “em todo lugar é desse jeito”, “política é isso, não presta ninguém nessa merda”, etc. Esse papinho é de tirar do sério!

Bom, escrevi isso tudo para dizer que o PT desmoronou pra mim. Não quero ficar aqui escrevendo o porquê, pois não devo explicações a ninguém, só quis dizer o quanto me decepcionei com o rumo que esse partido tão legal tomou. Acho que a única coisa que eu esperava era coerência, não essa baixaria que é hoje.

Que droga, PT! Eu confiava em você!

Ao som de: Fresno - Revanche

:: Por Cams_ | 17:37 |

Abra seu coração!

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Terça-feira, Setembro 14, 2010

Keyra Amarathar
(Parte 2 - 27 de janeiro de 2010)

“Retornar não é mais tão bom como era antes...” pensou Keyra quando ela e seus demais companheiros voltaram à Skan depois de derrotar Ogramum. A viagem foi cansativa, lenta e com algumas baixas durante o caminho.

Por mais que sentisse um alívio momentâneo por ter conseguido trazer de volta alguns sobreviventes, a tristeza e o medo nos olhar das pessoas da cidade pesavam na consciência de Keyra. Ela se sentia culpada por se sentir feliz em voltar com vida sendo que muitos ficaram pelo caminho. Sua cabeça estava imersa em confusão há bastante tempo. Ela sabia disso, mas não sabia ao certo como lidar com essa situação. Na verdade não sabia nem o que estava acontecendo direito, só sentia que algo havia mudado.

Depois de dois dias do retorno da Ordem da Liberdade ao reino, depois de cumprir com todos os “eventos protocolares” do rei, Keyra resolveu se distanciar um pouco do grupo para organizar seus pensamentos. Há tempos que ela não se sentia “ela mesma”. Estava sentindo falta de desvendar os mistérios de uma grande cidade, pois foi isso que a sua infância em Ilíria lhe proporcionou. Por mais que se considere uma pessoa do mundo (é seguidora fiel de Avandra), Keyra gosta de conhecer a fundo as cidades por onde passa, suas esquinas, ruas, prováveis rotas de fuga caso resolva “pegar emprestado” alguma coisa bela e brilhante, enfim, conhecer o lado da cidade onde a lei não alcança.

E, claro, fez contatos. Para ela, andar com as pessoas certas (ou erradas, depende do ponto de vista) é uma arma poderosa caso se precise alguma coisa no futuro. Desde que começou a andar com seus companheiros da Ordem ela começou a se sentir reprimida a fazer aquilo que faz melhor, que é roubar. Por isso dedicou grande parte do seu tempo envolvida com a guilda de ladrões da cidade, praticando suas habilidades em companhia de pessoas que a entendem e a aceitam como é. Conseguiu construir uma relação respeitosa com Aslom, que se intitulava o líder da guilda, e Raskon, o githzerai. Foi por meio deles que ela conheceu Barras, um hafling assassino bastante conhecido no submundo por sua maldade e seus feitos bizarros. Keyra conseguiu aprender algumas técnicas com ele – apesar dele não ser “melhor que ela”, somente diferente, teve outra vida, seguiu por outros caminhos

E foi em um encontro desses que ela acabou conhecendo Mal, um humano jovem que tentava iniciar sua vida em meio aos ladrões. Eles se conheceram quando ele, em vão, tentou roubar uma peça de cristal de uma taverna qualquer e foi surpreendido por guardas. Se não fosse pela Keyra e seus incríveis dotes de camuflagem no meio da multidão, ele estaria preso agora. Começaram a andar juntos e ela acabou encantada com a determinação dele de querer ser alguém na vida. Não queria ser temido, somente respeitado. De uma certa forma ele a lembrava dela durante a adolescência. No entanto, como é um rapaz de atitude, ele a acabou encantando quando decidiu que queria tê-la a qualquer custo. Por mais que fosse uma mulher linda, os homens se sentiam intimidados pelo seu estilo de vida e habilidades. Ele não.

Porém, ao mesmo tempo ela sentia que era errado estar ali com ele. Sentia que poderia estar “poluindo-o” com sua alma corrompida. Afinal, ela trabalhou como assassina de gente inocente por três meses de sua vida, quando ficaram presos no subterrâneo a mercê de drows. Ela matou muita gente e acabou dominando essa arte. Depois de um tempo, matar não era mais tão impactante como já fora um dia. Passou a ser algo normal, corriqueiro, sem importância. E o por incrível que pareça ela não foi criticada por seus companheiros por ter se sujeitado a isso. Nem mesmo o Arannis, que é a pessoa mais sensata e boa que ela conhece, se preocupou em ver se essa vida a havia traumatizado, ou corrompido. Parecia estar tudo bem por ele.

Numa noite, rumores tomaram a cidade dizendo que haveria um culto a um demônio chamado Asmodeus em uma base secreta escondida no submundo. Os clérigos dessa seita, apesar de serem poucos em Skan, tinham costume de realizar sacrifícios humanos com certa frequência e isso animou a Keyra e Mal a tentarem sabotar o ritual. Conseguiram informações de uma provável localização e mais alguns capangas para irem junto. No caminho, tiveram a seguinte conversa:

“Quando você vai embora?” Perguntou Mal, pela primeira vez tocando no assunto.

“Não sei ao certo, tenho que ver com o Arannis. Acho que amanhã teremos um almoço na casa do tal Mumur. Devemos nos decidir lá. Porquê?”

“Nada, só pra saber... Quem é esse Murmur afinal? Amigo de vocês?”

Keyra estava brincando com sua adaga, como é de costume quando faz algo não tão interessante.

“Não sei também, mas parece ser um bom goliath. Quando lutamos juntos teve uma hora que ele se colocou na minha frente para me proteger. Levou uma espadada que deve ter doido muito! Mas não é meu amigo, não. Mas já deve ser dos outros. Aqueles lá confiam em qualquer um.”

“E isso é ruim? Afinal, eles não são que nem nós...” Perguntou Mal impressionado com a súbita mudança de postura de Keyra.

“É ruim sim, pois da mesma forma que eles confiam, também esquecem! Mas já cansei de me preocupar e não quero mais pensar sobre isso.” disse Keyra, se mostrando impaciente.

Quando se aproximaram do local onde seria a entrada dos fundos de onde seria realizado o culto, Keyra guardou sua adaga e passou orientações aos demais. Ela e Mal iriam tentar entrar no templo escondidos e encontrar uma entrada alternativa para os outros. A ideia era que eles entrassem e criassem alguma distração para chamar a atenção dos clérigos. Uma vez feito isso, ela e Mal soltariam a vítima humana e levariam tudo de valor que encontrassem pelo caminho.

E foi justamente isso que fizeram. Sem muito trabalho Keyra conseguiu encontrar uma pequena entrada guardada por um homem somente. Escondendo-se nas sombras, posicionou-se atrás do guarda usou sua adaga para atingí-lo. Não o matou, mas atingiu um ponto específico que o fez desmaiar de dor. Mal acompanhava os passos da ladina com atenção e total admiração, tentando aprender alguma coisa. Ele a ajudou a esconder o guarda desmaiado em um canto nas sombras e, em seguida, aprendeu a desarmar uma fechadura. Entraram sem dificuldades, apesar de saberem que o local é bem guardado.

“Eu queria que você ficasse mais. Dez dias é muito pouco...” murmurou Mal, não conseguindo conter a ansiedade.

“Você realmente acha que esse é o melhor momento de falar sobre isso? Preste atenção no que estamos fazendo e fale baixo. Concentre-se!”

“Mas é a verdade! Porque você não fica? Parece que você nem gosta mais dos seus amigos da Ordem. Parece magoada...”

“Não fale assim!” disse Keyra interrompendo, irritada. “Você não os conhece. Não conhece nem a mim direito. E outra, gosto demais deles, são minha família. Portanto não gostaria de falar sobre isso contigo, ainda mais aqui, dentro da tocaia do inimigo!”

Estavam numa sala que mais parecia servir de estocagem de alimentos. Havia sacos com grãos, muita carne seca e barris de cerveja. Não havia muita coisa interessante lá dentro, mas tudo o que parecia ter um mínimo de valor era colocado dentro da bolsa mágica de Mal.

“Sabe que eu sempre quis ter uma dessas? A que nós temos fica com o Arannis e ele nunca me deixou ficar com ela.”

“Por que não? Ele não confia em você?”

“Confia. Er... quer dizer... Na verdade não sei. Eu confio neles com a minha vida, mas acho que eles não sentem o mesmo” disse Keyra, demonstrando certa tristeza.

Ela se aproximou de uma porta no final da sala. Conseguiu abrí-la e os dois deram de cara com um corredor longo, praticamente sem iluminação. Um pouco adiante viram uma porta à direita e imaginaram que talvez aquela seria uma boa entrada para os capangas que ainda esperavam do lado de fora.

“Quer tentar abrir essa porta?” Perguntou, tentando bancar a boa professora enquanto passava as ferramentas a Mal. Ele aceitou e demonstrou alegria enquanto se aproximava da porta. Ele perdeu uns 5 minutos até conseguir arrombar a fechadura. Nesse meio tempo, Keyra conseguiu dar uma boa andada pelo local e descobriu mais duas portas a frente, no final do corredor. Uma, aparentemente, levava ao salão onde estava para ser iniciado o ritual. A outra, a da esquerda, era um mistério.

Quando os capangas chegaram ao corredor, Keyra os orientou a esperarem alguns minutos antes de atraí-los para a cozinha – ela e Mal dariam um jeito de sabotar o altar. Ela não confiava nem um pouco naqueles sujeitos, mas tinha certeza que se tudo desse errado, os dois conseguiriam sair dali sem problemas. Ela também os alertou da possibilidade de mais guardas chegarem.

Ela e Mal entraram pela porta da esquerda. Era uma sala abandonada, cheia de entulhos e com o teto muito alto. Com muita agilidade Keyra conseguiu subir nos entulhos e desapareceu pelo teto escuro de madeira. Mal ficou um pouco desorientado até que ela reapareceu dizendo que havia encontrado uma passagem que os levaria exatamente acima do grande candelabro central. Dentro de poucos minutos os dois já estavam devidamente posicionados esperando os idiotas atraírem os clérigos até o corredor.

“Sabe, não é que eles não confiem em mim...” começou Keyra, com o olhar claramente desiludido “...é que às vezes eu me sinto descartável dentro do grupo, como se pudesse ser facilmente substituída a qualquer momento. Mais ou menos como foi com o Medrash. Ele desapareceu e depois o Ecniv surgiu e tudo ficou bem. Eu me irritei com isso, tratei ele muito mal no início porque senti que ele estava tomando o lugar de outra pessoa que me era muito importante. E o pior é que o pessoal entrou na dele rapidinho.”

Mal não se atreveu a dizer nada. Ele sabia que aquele era um desabafo que deveria estar entalado ali na garganta dela há bastante tempo.

“Uma vez, quando estávamos no mundo das sombras, comecei a discutir com todos do grupo para ficarmos lá para encontrarmos uma coisa, mas todos queriam sair. Eu fui a única que queria ficar. Discuti muito com todos e só depois fui perceber que os estava testando. Testando para saber se eles ainda gostavam de mim, se ainda me aguentavam, se ainda eram fiéis a mim assim como sou a eles...” Parou um instante. Respirou fundo e continuou “A possibilidade de nos separarmos me assusta muito. Gosto muito de todos, mas sinto que estou indo por um caminho que eles não podem aceitar. Acho que estou perdendo um pouco da fé na bondade. Há tanta dor no mundo, tanta maldade... Pra que lutar contra isso? Está sendo tão natural pra mim...”

Antes que Mal pudesse sequer ensaiar uma resposta, os clérigos começaram a se agitar logo abaixo. Dois deles entraram por uma porta que levava ao corredor que estiveram antes. Em seguida voltaram gritando e chamando os guardas para aquela direção. Era a hora! Os dois se seguraram no grande candelabro e em segundos já estava saqueando tudo o que parecia ser no mínimo interessante naquela sala. Era relativamente pequena, com um altar onde um garoto de 12 ou 13 anos estava amarrado, desorientado e totalmente drogado. O local era iluminado por velas avermelhadas, havia símbolos estranhos nas paredes, muitas ervas e poções, livros com caracteres estranhos, facas e adagas afiadas, sangue, muito sangue, e algumas “coisas brilhantes” bem bonitas. Mal andava pela sala desesperado jogando tudo o que via pela frente dentro da bolsa enquanto Keyra desamarrava o garoto.

Eles ficaram naquela brincadeira durante alguns minutos, quando o barulho das espadas começou a se aproximar pelo corredor. Keyra conseguiu sair da sala com o garoto nas costas, seguida imediatamente por Mal. Acabaram usando uma via alternativa para sair e em poucos segundos já estavam de volta nas ruas de Skan. Keyra ainda voltou para ver se algum dos capangas havia sobrevivido e retornou com apenas um deles, completamente ensanguentado.

“Meus amigos morreram, mas ao menos levamos todos conosco!” Disse o moribundo.

“Parabéns, vocês fizeram um trabalho maravilhoso!” Disse Keyra, em tom de sarcasmo.

________________________________

No dia seguinte, logo pela manhã, Mal não se conteve e retomou a conversa da noite anterior:

“Eu REALMENTE queria que você ficasse mais tempo comigo. Deixe-os e fica. Vai?”

“Bom dia, garoto.” Disse ela enquanto o beijava, ainda deitada na cama. “Para quem quer conquistar o mundo você anda muito emotivo. E olha que eu ainda nem conheço o sul, como você espera que eu aceite ficar em Skan...”

“Eu estou falando sério!” Disse ele, impaciente “você nem sabe se eles sequer confiam em você. Eu confio! Dou minha bolsa mágica pra você segurar o tempo todo! Toma, é sua!”

“Garoto...” ela achou encantador aquele desespero do rapaz recém-saído da adolescência doido para não perder sua primeira paixão. Pegou a bolsa e a colocou na mochila. Aquilo mexeu com ela mais do que imaginava. “Coloque os pés nos chão: desde o início sabíamos que isso aqui duraria mais ou menos dez dias. E você tem muito a crescer ainda, o mundo inteiro pra conhecer. Nunca nem viu um orc na vida!”

Ele ainda resmungou algumas coisas enquanto ela se vestia para ir ao almoço na casa de Murmur. Ele estava fazendo de tudo para convencê-la a ficar. “E porque você está insistindo nesse grupo que sequer confia em você?”

“Insisto porque sei que é unicamente por causa deles que eu ainda não me perdi, não me tornei uma assassina ou um monstro como o Barras. Ainda não estou pronta para abrir mão deles, não quero me tornar uma pessoa má... Mas, nunca se sabe o dia de amanhã!” falou enquanto saía pela porta, em direção a casa de Murmur, sorrindo.

No caminho encontrou Soveliss e Adrie. Se sentiu feliz, mas algo ainda continuava fora do lugar...

Ao som de: Cory Lee - Naughty Song

:: Por Cams_ | 16:12 |

Abra seu coração!

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